A Exposição
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Em 1825, o reconhecimento por Portugal da independência e soberania do Império do Brasil abriu caminho para o estabelecimento de relações diplomáticas entre o novo Estado e as monarquias europeias, entre elas o reino da França. Muitos homens e mulheres — viajantes, exilados, migrantes — não esperaram por essa oficialização para cruzar o Atlântico nos dois sentidos e fazer circular palavras, ideias e conhecimentos.
Em duzentos anos, a França e o Brasil, hoje ambos republicanos, mudaram profundamente, assim como o mundo em que evoluem e seu peso respectivo no cenário internacional. Este bicentenário oferece, portanto, a oportunidade de revisar duzentos anos de história(s) cruzada(s), experiências e lutas compartilhadas. Mais do que uma simples comemoração, esta exposição, concebida por duas historiadoras, convida à reflexão sobre a realidade e a natureza dessas afinidades tão celebradas entre a França e o Brasil, sem omitir as sombras, as divergências e as asperezas que por vezes puderam pontuar sua relação, pois a história, como abordagem das ciências humanas e sociais, é um exercício de lucidez.
Esta viagem através do tempo não segue uma linha cronológica, mas propõe uma navegação de tema em tema, ao longo dos intercâmbios franco-brasileiros. Está longe de esgotar a sua riqueza; contém muitas lacunas que resultam da necessidade de fazer escolhas ou da carência de documentos disponíveis. Cada um dos temas selecionados poderia dar origem a uma exposição por si só.
O percurso proposto oferece uma oportunidade para nos conhecermos melhor, questionar as representações recíprocas, muitas vezes reduzidas a um punhado de tipos sociais e a alguns fantasmas, e medir suas variações. Ele destaca esta característica única da relação entre a França e o Brasil: a existência de uma fronteira terrestre comum, de ambos os lados do rio Oiapoque, na Amazônia, localizada na vanguarda dos imensos desafios que se colocam às sociedades contemporâneas, como o respeito ao multiculturalismo, a defesa da democracia, a busca por uma sociedade e um mundo mais justos, e todas as consequências das mudanças climáticas atualmente em debate em Belém, sede da COP 30.
Em duzentos anos, a França e o Brasil, hoje ambos republicanos, mudaram profundamente, assim como o mundo em que evoluem e seu peso respectivo no cenário internacional. Este bicentenário oferece, portanto, a oportunidade de revisar duzentos anos de história(s) cruzada(s), experiências e lutas compartilhadas. Mais do que uma simples comemoração, esta exposição, concebida por duas historiadoras, convida à reflexão sobre a realidade e a natureza dessas afinidades tão celebradas entre a França e o Brasil, sem omitir as sombras, as divergências e as asperezas que por vezes puderam pontuar sua relação, pois a história, como abordagem das ciências humanas e sociais, é um exercício de lucidez.
Esta viagem através do tempo não segue uma linha cronológica, mas propõe uma navegação de tema em tema, ao longo dos intercâmbios franco-brasileiros. Está longe de esgotar a sua riqueza; contém muitas lacunas que resultam da necessidade de fazer escolhas ou da carência de documentos disponíveis. Cada um dos temas selecionados poderia dar origem a uma exposição por si só.
O percurso proposto oferece uma oportunidade para nos conhecermos melhor, questionar as representações recíprocas, muitas vezes reduzidas a um punhado de tipos sociais e a alguns fantasmas, e medir suas variações. Ele destaca esta característica única da relação entre a França e o Brasil: a existência de uma fronteira terrestre comum, de ambos os lados do rio Oiapoque, na Amazônia, localizada na vanguarda dos imensos desafios que se colocam às sociedades contemporâneas, como o respeito ao multiculturalismo, a defesa da democracia, a busca por uma sociedade e um mundo mais justos, e todas as consequências das mudanças climáticas atualmente em debate em Belém, sede da COP 30.
Armelle Enders e Giselle Venâncio
Curadoras
