BNDigital

Independência

< Voltar para Exposições virtuais

Independência

Os franceses na Independência do Brasil

Muitos franceses contribuíram, direta ou indiretamente, para a independência do Brasil. Um dos mais famosos deles, o pintor Jean-Baptiste Debret, que chegou em 1816 com a “missão artística francesa”, foi o principal criador da estética, dos símbolos e da iconografia do jovem império. Um ex-oficial francês, Pierre Labatut, passou a servir a D. Pedro I e travou batalhas contra os portugueses na Bahia. Outros se empenharam, por meio de suas redes de contatos na França, em defender a causa da independência do Brasil junto às chancelarias europeias.

O fato é que a aclamação de D. Pedro I, “defensor perpétuo do Brasil e imperador”, representava um problema espinhoso para a França, onde reinava Carlos X, irmão de Luís XVI, guilhotinado em 1793. As monarquias europeias se uniram em uma “Santa Aliança” para impedir qualquer ressurgimento de ideias revolucionárias. Elas interpretavam as independências americanas como rebeliões ímpias contra os soberanos escolhidos por Deus. Os acontecimentos no Brasil são julgados com ainda mais severidade, pois, nesse reino, o filho usurpara a coroa de seu pai, D. João VI.

A Inglaterra e a França, no entanto, consideravam que a emancipação da América portuguesa era inevitável. Elas desejavam, acima de tudo, substituir a influência e o comércio de Portugal pelos seus, mas, para isso, era imperativo que D. João VI reconhecesse oficialmente a independência do novo Estado e a coroa de seu filho. Isso foi feito com a assinatura do tratado no Rio de Janeiro em 29 de agosto de 1825. A França de Carlos X, que reconheceu a independência do Haiti em abril de 1825, mediante uma forte indenização que originou o endividamento desse país, gostaria de obter do Brasil um tratado tão vantajoso quanto o que a Inglaterra desfrutava e, a partir de outubro de 1825, normalizar progressivamente as relações diplomáticas entre os dois governos. O Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre a França e o Brasil foi assinado em 8 de janeiro de 1826.

 

1) O Panorama do Rio de Janeiro exposto em Paris em 1824

O “panorama” é um dispositivo que associa uma construção em rotunda a uma vista de 360°, pintada segundo uma técnica específica. Atração espetacular e lucrativa, dá ao visitante a ilusão de estar imerso em uma paisagem real. Em 1824, foi exposto em Paris o panorama do Rio de Janeiro, realizado pelo mestre do gênero, Guillaume Romny, por iniciativa da família Taunay, que chegou ao Brasil com a “missão artística” de 1816. Nicolas Taunay teria tido a ideia, Félix Taunay forneceu os desenhos e quadros preparatórios, pintados a partir do morro do Castelo. Por fim, Hippolyte Taunay e outro amigo do Brasil, Ferdinand Denis, redigiram uma longa nota explicativa.

O panorama do Rio de Janeiro transmite ao público parisiense uma imagem tranquila da monarquia brasileira, que insinuava um distanciamento das turbulências das repúblicas da América Hispânica. O panorama faz parte de toda uma propaganda que apresenta o Brasil como um baluarte contra as revoluções e lhe promete um futuro brilhante. Isso é comprovado por esta citação extraída de um panfleto destinado a acelerar o reconhecimento da independência do Brasil:

“Que aqueles que ainda duvidam do alto destino deste império vão admirar o local e a aparência de sua capital representada em Paris com tanta veracidade e com uma ilusão tão perfeita; que vão parar lá no meio dessa multidão de pessoas curiosas que não deixam esse espetáculo admirável sem exclamar: Eis um local digno da metrópole do Universo!”

A independência do Império do Brasil apresentada aos monarcas europeus, por M. Alphonse de Beauchamp, “historiador do Brasil”, Paris, Delaunay, 1824.

 

Pierre Labatut (Cannes, 1796 – Bahia, 1849). A biografia de Pierre Labatut é envolta em mistério, especialmente seus anos de formação, e repleta de controvérsias. Após participar das guerras da Revolução e do Império Napoleônico, ele se mudou para a América e se juntou às forças armadas de Simón Bolívar antes de colocar seus talentos militares a serviço da independência do Brasil. Ele obteve vitórias na Bahia contra o exército português e participou de várias campanhas, mas sua reputação de brutalidade, suas exações e talvez suas convicções republicanas fizeram com que fosse várias vezes desonrado e preso.

 

Laços dinásticos

A família imperial brasileira estabeleceu laços matrimoniais com os filhos e netos de Luís Filipe, duque de Orléans, posteriormente rei dos Franceses (e não “rei da França”) graças à Revolução de 1830 e deposto pela Revolução de 1848. Um dos filhos do rei, François d'Orléans (1818-1900), príncipe de Joinville, casou-se em 1843, no Rio de Janeiro, com Dona Francisca de Bragança (1824-1898), irmã de D. Pedro II. A princesa Isabel (1846-1921) casou-se com um neto do rei Luís Filipe: Gaston d'Orléans, conde de Eu (1842-1922).

 

Uma amizade perpétua

O tratado de amizade, comércio e navegação de 8 de janeiro de 1826, assinado “Em nome da muito santa Trindade indivisível” entre Sua Majestade Muito Cristã, o rei da França e de Navarra, e Sua Majestade o Imperador constitucional e Defensor perpétuo do Brasil.

 

Artigo Primeiro

“Haverá paz constante, e amizade perpétua entre Sua Majestade o Imperador do Brasil e Sua Majestade El Rei de França e de Navarra, seus herdeiros e sucessores, e entre seus subditos sem excepção de pessoâ ou Lugar”