Linguagens
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Linguagens
As línguas são como livros de história e carregam consigo todo o tipo de herança do seu longo passado. Desafiam normas e fronteiras, emprestam, apropriam-se, articulam o local e outros lugares, fazem circular palavras e culturas. O português e o francês não escapam a essa regra e são marcados pelos contatos entre a França e o Brasil. A frequência das costas brasileiras no século XVI e a dominação colonial introduziram na língua francesa palavras ainda em uso hoje, que vêm das línguas indígenas da América do Sul.
As navegações portuguesas em todos os mares do globo também enriqueceram o vocabulário francês de nomes de frutas e objetos que se tornaram corriqueiros. A integração de inúmeras palavras francesas ao português também foi um indício da assimetria das relações culturais entre o Brasil e a França até a segunda metade do século XX. No século XIX e até meados do século XX, a influência cultural da França atingiu seu apogeu.
A França forneceu o modelo para instituições acadêmicas como a Escola e o Museu de Belas Artes ou a Academia Brasileira de Letras, fundada em 1897. Franceses, como os irmãos Garnier, exerceram no Rio de Janeiro a profissão de livreiro, que consiste em editar e vender livros, e desempenharam um papel crucial no surgimento do campo literário no Brasil.
As conexões com a França permitiram que os artistas brasileiros se integrassem às grandes correntes artísticas transnacionais, como o romantismo ou o modernismo, e produzissem obras originais. Com o passar do tempo, os intercâmbios assumiram formas mais diversas e cada vez mais equilibradas.
A música brasileira chegou à França após a Primeira Guerra Mundial, graças à estadia do compositor Darius Milhaud (1894-1974) no Rio de Janeiro, que o inspirou em várias obras, e aos Oito Batutas de Pixinguinha e Donga, que vieram tocar em Paris seus maxixes, choros e sambas em 1921. Como outras partes do mundo, a França foi levada pela onda da bossa nova nos anos 1960. O próprio Tom Jobim reconheceu seu gosto pelas melodias de Claude Debussy. Henri Salvador, natural da Guiana, guitarrista da orquestra “Ray Ventura et ses collégiens”, que se apresentou no Cassino da Urca em 1942 e 1943, também era um grande admirador do repertório brasileiro.
Enquanto os arquitetos e urbanistas franceses trabalharam muito nas cidades do Brasil até a década de 1930, Oscar Niemeyer foi o autor de vários edifícios na França, incluindo a sede do Partido Comunista Francês, inaugurada em 1980 em Paris, e o “Volcan”, um centro cultural na cidade de Le Havre, na Normandia.
Paris-Match 1962-Cartas a uma negra Françoise Ega
A partir da década de 1940, o desenvolvimento de revistas que davam grande destaque ao fotojornalismo, como O Cruzeiro no Brasil ou Paris-Match na França, contribuiu para democratizar a circulação de informações. Foi ao ler, em 1962, uma reportagem da Paris-Match dedicada a Carolina Maria de Jesus que Françoise Ega, uma empregada doméstica que emigrou para Marselha vinda de sua terra natal, a Martinica, descobriu sua vocação literária. Ela começou a escrever um diário que era uma conversa imaginária com Carolina Maria de Jesus e que seria publicado após sua morte. Françoise Ega é autora de várias obras e uma figura importante na defesa dos direitos sociais e na luta dos antilhanos, especialmente das mulheres, contra a exploração e a discriminação racial.
Alécio de Andrade (1938-2003)
Este fotógrafo residiu em Paris de 1964 a 2003. Paralelamente à sua carreira profissional e aos seus projetos pessoais, fotografou diversos intelectuais e artistas brasileiros durante suas visitas ou exílios na França.
As navegações portuguesas em todos os mares do globo também enriqueceram o vocabulário francês de nomes de frutas e objetos que se tornaram corriqueiros. A integração de inúmeras palavras francesas ao português também foi um indício da assimetria das relações culturais entre o Brasil e a França até a segunda metade do século XX. No século XIX e até meados do século XX, a influência cultural da França atingiu seu apogeu.
A França forneceu o modelo para instituições acadêmicas como a Escola e o Museu de Belas Artes ou a Academia Brasileira de Letras, fundada em 1897. Franceses, como os irmãos Garnier, exerceram no Rio de Janeiro a profissão de livreiro, que consiste em editar e vender livros, e desempenharam um papel crucial no surgimento do campo literário no Brasil.
As conexões com a França permitiram que os artistas brasileiros se integrassem às grandes correntes artísticas transnacionais, como o romantismo ou o modernismo, e produzissem obras originais. Com o passar do tempo, os intercâmbios assumiram formas mais diversas e cada vez mais equilibradas.
A música brasileira chegou à França após a Primeira Guerra Mundial, graças à estadia do compositor Darius Milhaud (1894-1974) no Rio de Janeiro, que o inspirou em várias obras, e aos Oito Batutas de Pixinguinha e Donga, que vieram tocar em Paris seus maxixes, choros e sambas em 1921. Como outras partes do mundo, a França foi levada pela onda da bossa nova nos anos 1960. O próprio Tom Jobim reconheceu seu gosto pelas melodias de Claude Debussy. Henri Salvador, natural da Guiana, guitarrista da orquestra “Ray Ventura et ses collégiens”, que se apresentou no Cassino da Urca em 1942 e 1943, também era um grande admirador do repertório brasileiro.
Enquanto os arquitetos e urbanistas franceses trabalharam muito nas cidades do Brasil até a década de 1930, Oscar Niemeyer foi o autor de vários edifícios na França, incluindo a sede do Partido Comunista Francês, inaugurada em 1980 em Paris, e o “Volcan”, um centro cultural na cidade de Le Havre, na Normandia.
Paris-Match 1962-Cartas a uma negra Françoise Ega
A partir da década de 1940, o desenvolvimento de revistas que davam grande destaque ao fotojornalismo, como O Cruzeiro no Brasil ou Paris-Match na França, contribuiu para democratizar a circulação de informações. Foi ao ler, em 1962, uma reportagem da Paris-Match dedicada a Carolina Maria de Jesus que Françoise Ega, uma empregada doméstica que emigrou para Marselha vinda de sua terra natal, a Martinica, descobriu sua vocação literária. Ela começou a escrever um diário que era uma conversa imaginária com Carolina Maria de Jesus e que seria publicado após sua morte. Françoise Ega é autora de várias obras e uma figura importante na defesa dos direitos sociais e na luta dos antilhanos, especialmente das mulheres, contra a exploração e a discriminação racial.
Alécio de Andrade (1938-2003)
Este fotógrafo residiu em Paris de 1964 a 2003. Paralelamente à sua carreira profissional e aos seus projetos pessoais, fotografou diversos intelectuais e artistas brasileiros durante suas visitas ou exílios na França.