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Apresentação

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Apresentação

Em outubro de 1825, o rei Carlos X enviou uma carta ao seu “querido irmão e primo, o imperador do Brasil”, Dom Pedro I, e enviou-lhe um plenipotenciário. Esse ato marcou o início das relações diplomáticas entre a França e o Brasil. Relações que se revelaram ricas, frutíferas, densas e prolíficas, tanto no plano cultural, artístico, econômico, humano, acadêmico quanto científico.

Embora muitos viajantes franceses tenham visitado o Brasil desde o século XVI, foi somente em 1816, com a chegada ao Rio de Janeiro de uma missão artística liderada por Jean-Baptiste Debret, que laços culturais sólidos foram estabelecidos entre nossos dois países. Muitos seguiram seu exemplo, atraídos e fascinados pelo Brasil, ao mesmo tempo próximo e distante, diversificado e exuberante. É claro que não podemos citar todos, mas alguns nomes se destacam. A grande atriz Sarah Bernhardt, que fez três turnês pelo Brasil (1886, 1895 e 1903); o diplomata e escritor Paul Claudel, em missão no Rio durante a Primeira Guerra Mundial, acompanhado na sua embaixada pelo grande compositor Darius Milhaud; Blaise Cendrars, que tirou de sua viagem em 1924 “Le Brésil, des hommes sont venus” (O Brasil, homens vieram); Claude Levi-Strauss, que participou, ao lado de Roger Bastide, Fernand Braudel e Pierre Monbeig, da criação da Universidade de São Paulo; e tantos outros que participaram generosamente do fortalecimento dos laços que nos unem.

Essa história comum, baseada na admiração e no respeito mútuos, não está isenta de algumas nuvens: desacordos sobre a questão da escravidão em meados do século XIX, a soberania sobre o Amapá no final do século XIX, a briga sobre a pesca da lagosta no início dos anos 1960 ou ainda o acolhimento de exilados políticos em território francês durante os tempos sombrios da ditadura. No entanto, sempre soubemos superar essas divergências para nos concentrarmos no essencial: a constatação de que nossas relações eram mutuamente benéficas, portadoras de ideias inovadoras e projetos ambiciosos.

É tudo isso que esta exposição retrata, graças ao trabalho extraordinário das duas curadoras, às quais gostaria de prestar uma calorosa homenagem.

Emmanuel Lenain

EMBAIXADOR DA FRANÇA NO BRASIL