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A Estrella do Brasil: folha periodica e liberal

por Maria Ione Caser da Costa
A Estrella do Brasil tem como subtítulo seu compromisso nacionalista - folha periódica e liberal. Veio a lume no dia 7 de abril de 1861, no Rio de Janeiro. Seu proprietário e principal redator era o Sr. Antonio José Nunes Garcia (1767-1830). A escolha da data de lançamento da publicação foi uma homenagem ao ato de abdicação que D. Pedro I teve em favor de seu filho Pedro de Alcântara.

Em 1967, a Biblioteca Nacional promoveu uma exposição comemorativa ao segundo centenário do nascimento de Antonio José Nunes Garcia, onde foram apresentadas todas as publicações que o “padre-mestre” publicou e estão presentes em seu acervo.

A coleção de A Estrella do Brasil existente na Biblioteca Nacional é composta por onze exemplares. Oito destes podem ser consultados através da Hemeroteca Digital do Brasil, e correspondem ao período compreendido entre a data de lançamento até o “anno 1”, n. 8, publicado em 01 de junho daquele ano. Na Coordenadoria de Publicações Seriadas encontram-se outros três exemplares, estes pertencentes ao “anno 2” que ainda não foram digitalizados. São os números 1, 2 e 3, publicados respectivamente nos dias 31 de julho, 09 e 20 de agosto de 1865.

Os oito primeiros exemplares da coleção foram impressos pela Typographia Popular de Azeredo Leite, que se situava à rua Nova do Ouvidor, n.9. Os outros três o foram pela Typographia e Litographia Portugueza, de A. L. dos Santos & C, situada à rua de São José nº 8.

A leitura do editorial de lançamento da publicação apresenta alguma dificuldade, tendo em vista o estado físico do original. Este apresenta danos causados pelo tempo, incluindo rasgos e acidificações. É possível, entretanto, que o leitor faça uma hipótese sobre as intenções do editor. A idéia central do texto diria respeito à escolha do título da publicação, relacionando-o ao amor a “nossa pátria”. A publicação seria um espaço para mostrar ao público em linguagem clara, os fatos gloriosos ou ingloriosos daqueles que dirigem os destinos do nosso país. Seriam abordados temas políticos renovando o sentimento de patriotismo, ao ver passados exatos 30 anos do dia em que se aclamou o nome do adorado monarca Pedro II, como imperador perpétuo do Brasil.

Na página 3 do primeiro exemplar, sob o título de: Vejamos os mais amantes do Brasil, seus editores preveniam os leitores

Duas palavras diremos hoje a este respeito, pois sendo hoje o primeiro dia a aparição da – Estrella – não queremos que se nos taxe de terrorista e de vaidoso: repetiremos; fazem hoje 30 anos, que o primeiro imperador do Brasil retirando-se deste império, pelo acto da abdicação legou sua corôa, throno e septro, a seu filho o Sr D. Pedro II, nosso ídolo adorado, qual seria o motivo , talvez perguntasse qualquer cidadão brasileiro que estivesse indifferente as cousas do paiz; porém si nós ahi estivéssemos presente lhes diríamos; o Sr. D. Pedro I se deu este passo foi por ser enganado por um pequeno circulo que o rodeava, o qual circulo era composto dos taes corcundas, que ao depois se crismarão em moderados, chimangos, saquaremas e hoje são conhecidos alguns deles por conservadores vermelhos, estes é que fizeram com que o primeiro imperador do Brasil abdicasse a corôa antes, do que acender ao pedido, que os seus verdadeiros amigos os sinceros liberaes lhe fizeram no dia 6 de abril de 31, quando lhe pedião a demissão do ministério?

A Estrella do Brasil apresentou-se com quatro páginas, nenhuma ilustração com texto montado em duas colunas separadas por um fio simples. No cabeçalho cada número apresenta a seguinte epígrafe de autoria de J. J. Russeau:
“Quando se diz acerca dos negocios do Estado – Que me importa! Deve-se contar que o Estado está perdido”.

Os exemplares publicados em 1865, correspondentes ao ano 2, trazem outra epígrafe, esta de autoria de Catão: “Morrer pela patria é doce morrer”. Apresentam também uma pequena diferença em seu subtítulo: folha periodica patriota.

O texto inicial do primeiro número comenta a reaparição do periódico a partir de uma necessidade imperiosa de retomar o sentimento de patriotismo. Todas as seções e matérias são dentro do conceito do editorial, tratando sempre de assuntos de interesse público, na perspectiva monarquista. Por exemplo: um artigo, sem título, informando sobre o regresso do navio ao porto do Rio de Janeiro que levará o Imperador ao Rio Grande do Sul; ou um texto elogioso às forças nacionais em combate no Paraguai, com o título Empenho Nacional ̶ Quem não é pelo Brazil, é contra o Brazil.

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