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America brasileira: resenha da atividade nacional

por Maria Ione Caser da Costa
A revista America brasileira foi lançada no Rio de Janeiro possivelmente em dezembro de 1921. A coleção da Biblioteca Nacional inicia com o número 4, publicado em março de 1922. Seu diretor e fundador foi Elysio de Carvalho (1880-1925) e a publicação tinha periodicidade mensal.

A partir do número 25, foi publicado em janeiro de 1924, América brasileira apresenta Carlos Rubens desempenhando a função de gerente e como redator chefe, Renato Almeida que “entre os redactores da America Brasileira, e desde que esta se publica, vem occupando logar de excepção, pela multiplicidade e brilhantismo de suas tarefas”.

Ao título, acompanhava o subtítulo resenha da actividade nacional que, a partir do ano 2, número 14, publicado em fevereiro de 1923 muda para resenha da vida nacional.

As buscas deste título em outras instituições não obtiveram resultados positivos. Não se localizou os três primeiros exemplares para que fosse possível entender uma informação que aparece na capa de cada fascículo junto a designação numérica: “Nova fase”. Não foram encontradas evidências de ser este título continuação de algum outro. Apenas a hipótese de que esta nova fase pudesse ter ocorrido a partir do número quatro.

America brasileira era vendida por 500 réis. A assinatura anual para todo o Brasil custava 6$000. Com algumas variações no valor de venda, os exemplares que encerram a coleção foram vendidos por 1$000 e os números atrasados por 2$000, enquanto que as assinaturas anuais encerraram valendo 10$000 para os brasileiros e 12$000 para os que viviam no exterior.

America brasileira direcionava sua linha editorial para o campo literário brasileiro. Mantinha também um paralelo com a literatura hispano-americana, como pode ser confirmado no artigo assinado Elysio de Carvalho, onde traça um perfil do escritor venezuelano Rufino Blanco-Fombona, que publicou em America brasileira um artigo sobre as relações literárias entre Espanha e America.

Na página 32 do exemplar de número quatro, última página antes da capa, aparecem informações como num expediente. Lá estão relacionados assuntos que a publicação pautou sua linha editorial. São eles: “critica e estudo dos problemas nacionais, defesa militar e econômica, resenha da vida internacional, synthese das possibilidades e realizações brasileiras, expoente da cultura nacional em suas varias modalidades”.

Em America brasileira Mário de Andrade publicou entre os anos de 1923 e 1924, as suas Crônicas de Malazarte, marcando uma prática voltada à questão da nacionalização da língua falada no Brasil.

Para comemorar o centenário da Independência do Brasil, America brasileira publica uma edição comemorativa que tomou os números de setembro a dezembro de 1922.

America brasileira encerra suas atividades com o número duplo 35/36, publicado em dezembro de 1924. Em um retângulo publicado na página 20 daquele fascículo lê-se a seguinte nota:

Esta revista é hoje publicada com algum atrazo e contendo, numa mesma edição, os números reunidos de novembro e dezembro, devido ao facto de não ter podido contar, nestes dois mezes, com a cooperação – que lhe é elemento primordial – do seu director, o Sr. Dr. Elysio de Carvalho, que, ha algum tempo já, se encontra enfermo e ausente desta Capital. E ainda por este motivo, temos outra communicação a fazer aos nossos leitores. Sendo esta revista, antes de tudo, obra exclusiva de Elysio de Carvalho, que a tem mantido principalmente como expressão do seu pensamento na vida literária, política, social e econômica do Brasil, e exigindo o estado de saúde do nosso prezado chefe que elle emprehenda uma viagem á Europa, para onde seguirá nos primeiros dias de fevereiro próximo, America Brasileira delibera suspender, desde já, a sua publicação, até que Elysio de Carvalho possa regressar, restabelecido, ao convívio dos seus numerosos amigos e admiradores. Dando conta desta deliberação aos nossos assignantes, com os quaes, aliás, não temos qualquer compromisso a satisfazer visto que as assignaturas de nossa revista terminaram todas em dezembro de 1924, queremos agradecer-lhes aqui o precioso apoio e estimulo que nos trouxeram.

De acordo com o blog História das Alagoas, o alagoano Elyseu de Carvalho faleceu no dia 02 de novembro de 1925, em um sanatório, em Davos, Suíça, onde foi tratar de uma tuberculose.

Vários foram os intelectuais que colaboraram em América brasileira. Citaremos apenas alguns: Ronald de Carvalho (1894-1935), Graça Aranha (1868-1931), Manoel Bandeira, Sérgio Buarque de Holanda, Tristão de Athayde – pseudônimo de Alceu Amoroso Lima, Oliveira Vianna, Rocha Pombo. Assumindo a identidade de Sargento Albuquerque estava o diretor e fundador Elísio de Carvalho.

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