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Cadernos da Hora Presente

por Maria Ione Caser da Costa
Cadernos da hora presente foi um periódico literário editado pela primeira vez na cidade de São Paulo em maio de 1939, permanecendo até agosto de 1940. Sua redação funcionava à rua Anhangabaú, 774, 3º andar. Era dirigido por Tasso da Silveira (1895-1968) e o diretor-secretário era Rui de Arruda (1910-1982, Rui de Arruda Camargo).

Criada em meio ao Estado Novo, regime político fundado por Getúlio Vargas em novembro de 1937, que permaneceu até janeiro de 1946, seus artigos não falam em política, mas muitos dos seus colaboradores que pertenciam ao grupo denominado Ação Integralista Brasileira, publicavam temas que os integralistas defendiam. Em todos os fascículos dos Cadernos aparece a frase “Este número foi visado pela censura”.

Foram nove edições publicadas em formato de livro, numa única coluna, medindo 20 x 13 cm e com uma média de 200 páginas cada. A Biblioteca Nacional possui os números 1 a 3, 5 a 8 que podem ser consultados em seu formato original, o papel, pois ainda não foram digitalizados. Os exemplares de números 4 e 9 faltam na coleção.

Tasso da Silveira, antes da publicação de Cadernos da hora presente lançou, em agosto de 1919, em parceira com Andrade Muricy (1895-1984), America Latina: revista de arte e pensamento , que circulou até fevereiro de 1920. Em agosto de 1922, desta vez em companhia Rocha de Andrade, editam Arvore nova, que publicou apenas quatro exemplares. Em janeiro de 1924, em parceria com Álvaro Pinto (1889-1957), editam Terra de sol: revista de arte e pensamento. E, em agosto de 1927, novamente em companhia de Andrade Muricy, publicam a revista Festa: mensário de pensamento e arte . À exceção de Terra de sol, os exemplares destes títulos podem ser consultados na Hemeroteca Digital, e todos eles estão arrolados neste dossiê.

No primeiro exemplar de Cadernos da hora presente, em coluna intitulada Itinerário, seus editores apresentam a publicação: “Com o aparecimento do primeiro número dos CADERNOS, revelamos ao Brasil dentro de u’a linha segura de orientação nacionalista, o nosso itinerário. Muitas iniciativas, mais ou menos idênticas, fracassaram entre nós. Esta, porém, surge com firme desejo de durar”. Logo a seguir a seguinte informação:

Os CADERNOS DA HORA PRESENTE significarão, não apenas uma absoluta novidade para o Brasil, como a afirmação mais alta do nosso esfôrço cultural até êstes dias.
Nos seus números ímpares – os CADERNOS constituirão propriamente, uma revista, com variadíssima colaboração dos nossos mais ilustres intelectuais e de grandes escritores estrangeiros. Ensaios, poemas, crítica, noticiário completo da atividade cultural no Brasil e no mundo. Nos seus números pares – publicarão uma obra completa e inédita de autor brasileiro de renome: - um romance, ou um livro de contos, ou um livro de poemas, ou um largo estudo científico, filosófico, literário, - a não ser que abram espaço para vastos inquéritos sobre as realidades espirituais, intelectuais e sociais desta hora.

Muitos foram os colaboradores de Cadernos da hora presente. Em suas páginas podem ser encontrados ensaios, poemas e crítica literária. Muitos foram os colaboradores: Abgar Renault, Adonias Filho, Alphonsus de Guimarães Filho, Almeida Sales, Dantas Mota, Gerardo Mello Mourão, Guerreiro Ramos, Guilherme de Almeida, Herbert Parentes Fortes, João Camilo de Oliveira Torres, Lauro Escorel, Luís da Câmara Cascudo, Mário de Andrade, Miguel Reale, Orígenes Lessa, Otávio de Faria, Roland Corbisier, San Thiago Dantas, Thiers Martins Moreira, Tristão de Athayde e Vinícius de Moraes.

Além de: Rômulo de Almeida, Almeida Magalhães, Fernando M. de Almeida, Oldegar Vieira, Augusto Frederico Schmidt, Sérvulo Pompêo de Toledo, Plínio Salgado, Paulo Fleming, Joaquim Cardoso, Andrade Muricí, Cruz e Sousa, Oscar Mendes, A. Queirós Filho, Aristides Avila, Aires da Mata Machado Filho, Basílio Itiberê, José Honório de Silos e Lucio Cardoso.

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