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O Besouro: humoristico, satyirico e critico

por Maria Ione Caser da Costa
O periódico O Besouro: humoristico, sayirico e critico foi editado a 15 de abril de 1896, em Pernambuco. Teve como redatores Gil Valerio, Vaz Biu e Paty Bandeira.

A redação funcionava no primeiro andar da rua Estreita do Rosário, número 18. Esta rua permanece com o mesmo nome até os nossos dias e está localizada no centro do Recife, capital pernambucana.

No editorial, assinado por A Redação, é possível conhecer um pouco da intenção de seus editores:

Se tudo quanto existe é susceptível de aperfeiçoar-se, não é de admirar que O Besouro trate das suas melhoras. Assim é que entra elle hoje em sua segunda phase, deixando de sahir manuscripto para vir impresso passeiar as ruas desta pacata e burgueza capital.
O seu programma é rir, rir sempre, rir muito, não com a gargalhada irônica e mordaz de Voltaire, mas com o riso malicioso e picante de Rabellais.
Sennão fora um certo cheiro de mofo, desse mofo que ataca as coisas velhas, escreveríamos aqui o proverbio do tempo em que Judas teve sarampo: Ridendo castigat mores, mas deixemos o latinorio uma vez que, para fazermos figura não pedimos licença ao Padre Araujinho, o sábio collega do não menos sábio Padre Pereira.
Sem mais preâmbulos esperamos que o respeitável publico (chapa 1) não deixará de concorrer com o seu valioso auxilio (chapa 2) para manter quem se bate em prol das grandes ideias (chapa 3), com os olhos fitos na imagem sacrossanta da Patria. (4ª e ultima chapa).
Com estas quatro chapas apenas, está traçado o nosso programma.


Na Biblioteca Nacional existe apenas este exemplar, com designação numérica de anno 1, n. 1. Em nossas pesquisas não foi possível localizar alguma biblioteca que mantivesse este título em seu acervo.

O Besouro é editado em quatro páginas, sendo impresso em duas colunas separadas por um fio simples. Apresenta algumas pequenas ilustrações, encabeçando a matéria publicada. Logo abaixo do título e subtítulo, aparece a informação de ser uma “publicação indeterminada”, ao invés de uma esperada referência ao grupo a que pertenceria ou um lema.

Publica poesia, crônica, enigma e charada, indicando que as respostas sairiam no próximo número. Ocupando a última página, aparece a propaganda da Typographia Luso Brasileira, indicando que a publicação seria confeccionada naquela tipografia.

Os poemas encontrados nas páginas de O Besouro são de autoria dos redatores, provavelmente pseudônimos.

Selecionamos um pequeno poema, Uma queda, assinado por Gil Valerio , publicado na página dois, que, como todas as matérias do periódico, são uma troça.


Uma queda

Encontrei em certa rua
Uma pequena de truz,
Ficou quase semi-nua,
Pois tombou e... catapruz...

Vi-lhe os pés, pernas tambem
As ligas... não ria... é sério,
Deu o vento e n’um vai-vem...
Vi um... criado.

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