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Periódicos & Literatura

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Senhorita

por Maria Ione Caser da Costa
O periódico literário Senhorita foi editado em Curitiba, presumivelmente no ano de 1920, pela Empresa Publicadora “Album do Paraná”, e impresso pela Typographia B. Dergint & Cia. A redação funcionava num sobrado da rua 15 de Novembro, número 48.

O único exemplar armazenado na Biblioteca Nacional é o ano 1, número 5, que não apresenta data de publicação. A data provável de publicação é a de 1920 a partir das informações impressas em propagandas e mencionadas nas notícias. O fascículo ainda não está digitalizado, devendo sua consulta ser solicitada através da localização do volume físico na Coordenadoria de Publicações Seriadas.

O periódico apresenta forte característica que se insere na tradição existente em Curitiba, que se associa ao movimento simbolista, observando a formação de uma cultura literária local fortalecida.

O número avulso da revista foi vendido por 600 reis. Também não apresentou valor para aquisição da publicação através de assinaturas.

Senhorita teve como diretores literário Rodrigo Junior, pseudônimo de João Batista Carvalho de Oliveira (1887-1964), era professor e escritor, e manteve contato com várias gerações de literatos de Curitiba, e Heitor Stockler (1888-1975), que foi o fundador da ‘Cadeira 36’ da Academia Paranaense de Letras. Como gerente estava Deolindo de Mello Junior.

Foram colaboradores de Senhorita, Albertina Bertha, Alberto Cadaveira, Amelia Thomaz, Aurea Balão, Carolina Petrelli, Clemente Ritz, Dulce Dolores, Euclides Bandeira, Heitor Stockler, Ibrantina Cardona, Luis Carlos, Maria Amalia V. de Carvalho, Maria Eugenia Celso, Maria José Mello, Martins Fontes, Nestor Victor, Paulo Verlaine, Rocha Pombo, Rodrigo Junior e Rosa Fernandes.

A publicação mede 22cm x 18cm e sua estrutura se formou com 30 páginas incluindo as capas, porém não receberam numeração. Apresenta algumas ilustrações em nuances de preto e branco.

Ao alto da capa está o título e logo abaixo, a foto emoldurada de uma jovem senhora, em fotolitografia, cercada por desenhos em arabescos floridos que fazem um adorno. O exemplar número cinco inicia com um texto de Nestor Victor intitulado O Feminismo.

Com ser, por certo, mais um symptoma de anarchia a intromissão da mulher, cada vezmais intensa, no mundo intellectual de hoje, é preciso ver-se, no entanto, que Ella se impõe como uma necessidade irrecusavel. Neste terreno, e até no terreno da acçãopropriamente, a mulher vem supprir a deficienciaoccasional do homem, resultante do pequenino egoísmo que delle crescentemente se apodera, amenorando-o, amesquinhando-o, desvirilizando-o, no sentido mais alto desta ultima palavra.

Continua o texto apontando as qualidades observadas no sexo feminino, e conclui afirmando que, “A culpa vem da esterilidade dos ideaes masculinos de hoje, da covardia com que o chamado sexo forte leva a vida no presente, vida que se traduz em tão grande numero de casos pela deserção miserável aos deveres mais essenciaes que a nós, homens, nos cabem. ”

Senhorita publicou artigos, poemas, piadas, entretenimento e folhetim. Nota-se a preocupação em difundir a poesia e a prosa de colaboradores locais. O folhetim do exemplar em questão é de autoria de Julia Lopes de Almeida intitulado A Silveirinha: chronica de um verão.

As páginas iniciais e finais da publicação são dedicadas a anúncios e propagandas.

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